
A droga do realismo. É tão chato quanto um conhecido metido a crítico que sente um irritante prazer em ver um ponto chato na roupa alheia. Por vezes mostrei-me romântico, vivente do romantismo antigo e de pedra, sem ver mau algum ali, mas tal coisa insiste em desistir, sem ter onde se apoiar.
Irritante o realismo que me impede de querer sonhar em uma ilha deserta habitada apenas por mim e a pessoa amada. Daí me falam: " É impossível! Isso nunca vai acontecer!", tá bem, não é a minha vontade concordar, mas a força é maior. Meu choro agora se tornou irritante, irritante e sem efeito algum em relação ao que quero expressar - culpa do egocentrismo e principalmente da fragiliadade e sensibilidade romancista que, na companhia do realismo, me transforma em um humano que é fraco e até idiota quando chora na frente da pessoa amada. Pois bem, serei mais realista agora.
Bem mais realista, se nunca antes cheguei a ser: humanos que namoram precisam sair com os amigos e esquecer o amor sem se sentir culpado, pois bem - darei livre passaporte para me esquecer e se divertir com os outros em noites de parque e praia. Eu, ex-romântico e atual realista não mais poderei ser lírico e sonhar com ilhas desertas e noites a dois - sem existência de telefonemas e compromissos "importantes", afinal seria "um absurdo" pedir isto. Pois bem, tentarei não pedir uma coisa dessas, já que pedir seria como cometer um pecado imenso. Tampouco - e essa é a pior adaptação - não mais existirá o "eu sou somente seu", "você é somente meu", afinal "sempre!" existirão os terceiros, os quartos, os quintos, os fulanos, os sicranos, os amigos que perderam o namorado e precisam de ajuda, a irmã, o padrinho, a tia da vizinha da prima que ligou porque perdeu o marido... Enfim, o escambau! Sem esquecer que a minha vida não vale a existência de ninguém, portanto nunca direi, por mais que eu fosse capaz de fazer: "Eu morreria por você", tampouco a minha fome.
Realismo para mim é uma droga! Esse negócio de que o ser humano é mais humano com todos os problemas sociais não se aplica a mim... Aliás, não se aplicava, pois a partir desse exato momento declaro-me por livre e espontânea PRESSÃO, um típico e idiota realista que se preocupa com a opinião da sociedade se eu poderei dar um beijo em público. Parabéns! Tornei-me mais um! Que eu seja feliz e que eu tenha muitas noites românticas cortadas por compromissos "superiores"!
Observação: A essência de cada um, aliás, existe a minha existência, já que no realismo é cada um por si e a sociedade contra todos, a minha essência ninguém tira, nada tira. Em hipótese alguma, por motivo ou acontecimento algum.
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E a minha essência se chama "amor".